O mosquito da dengue, o Aedes aegypti, se cria em água parada e relativamente limpa, quase sempre dentro de casa ou no quintal. Os oito pontos em que ele mais aparece são: pratos de vasos, bebedouros e vasilhas de pets, a bandeja de degelo da geladeira e o dreno do ar-condicionado, ralos pouco usados, calhas e lajes, caixas-d’água e reservatórios, recipientes soltos no quintal e plantas que acumulam água. Uma vistoria semanal desses pontos, com esvaziamento e escovação, corta o ciclo do mosquito sem nenhum produto. Antes da lista, dois detalhes do comportamento do mosquito explicam por que a vistoria é feita assim.
O primeiro é o tempo. Em clima quente, o ciclo de ovo a mosquito adulto costuma levar cerca de uma semana a dez dias, por isso a orientação dos serviços de saúde é olhar tudo uma vez por semana. O segundo é o lugar do ovo. A fêmea não põe os ovos na água, e sim na parede do recipiente, logo acima da linha d’água. Esses ovos aguentam muitos meses no seco e eclodem quando a água volta a subir. Por isso, só despejar a água não basta: é preciso esfregar as bordas por dentro com uma escova ou esponja.
1. Pratos de vasos de plantas
O prato embaixo do vaso é o criadouro doméstico mais lembrado, e com razão: recebe água a cada rega e fica dias sem secar. Há três saídas, em ordem de eficácia:
- dispensar o prato quando o vaso fica em área que pode molhar, como varanda descoberta ou quintal;
- trocar o prato por um mais justo ao vaso e esvaziar o excesso de água meia hora depois de regar;
- preencher o prato com areia até a borda, de modo que a água seja absorvida e não forme lâmina.
Na vistoria semanal, além de esvaziar, passe a escova no prato por dentro, na faixa onde a água costuma ficar. Vasos sem furo de drenagem merecem atenção extra: a água acumula no fundo, longe dos olhos. Plantas que você cultiva só na água, como galhos de jiboia num vidro, também contam. Troque a água e lave o recipiente a cada poucos dias.
2. Bebedouros e vasilhas de água dos pets
Vasilha de água de cachorro ou gato fica sempre cheia e quase nunca é esfregada, só completada. Para o mosquito, é um criadouro perfeito, ainda mais quando fica na área externa ou na lavanderia.
A correção é simples e também faz bem ao animal: troque a água todos os dias, e não apenas complete o nível, e lave a vasilha com escova e detergente neutro pelo menos uma vez por semana, enxaguando bem para não deixar resíduo. Fontes de água com bomba e reservatório também precisam de limpeza no intervalo indicado pelo fabricante. Nunca coloque nenhum produto na água do pet para afastar mosquitos.
3. Bandeja de degelo da geladeira e dreno do ar-condicionado
Muitas geladeiras têm, atrás ou embaixo, uma bandeja que recolhe a água do degelo. Ela fica escondida, recebe água o tempo todo e raramente é lembrada. O mesmo vale para o ar-condicionado: a água que sai pela mangueira de dreno pode empoçar num balde, numa laje ou num ralo externo.
Para conferir a bandeja da geladeira, consulte o manual: em vários modelos ela sai puxando pela parte de trás ou de baixo, sem ferramentas. Desligue o aparelho da tomada antes de mexer atrás dele, esvazie a bandeja, lave com detergente neutro e esfregue as bordas. No ar-condicionado, garanta que a mangueira de dreno termine num ponto de escoamento e não num recipiente aberto. Se você precisa coletar essa água, use um recipiente com tampa e esvazie com frequência. A manutenção do aparelho em si, como limpeza da bandeja interna e do dreno, é tarefa para o técnico, e há outros cuidados em manutenção preventiva de ar-condicionado residencial.
4. Ralos pouco usados, dentro e fora de casa
O ralo sifonado guarda um pouco de água no fundo para bloquear o cheiro do esgoto. No ralo que quase não recebe água, como o do banheiro de visita, o da varanda ou o externo do quintal, essa água fica parada por semanas, e o mosquito pode chegar até ela.
Três medidas resolvem. Mantenha os ralos com tampa de abrir e fechar, ou com tela fina sob a grelha. Jogue água corrente nos ralos pouco usados uma vez por semana, para renovar o que está parado. E deixe os ralos externos livres de folhas e terra, que represam água em volta deles. Ralos com fechamento também ajudam contra baratas e outros insetos que sobem do esgoto.
5. Calhas, lajes e coberturas
Calha entupida com folhas vira um canal de água parada no alto da casa, longe da vista. Lajes sem caimento, com desníveis ou com objetos esquecidos, formam poças que duram dias depois da chuva. Toldos e coberturas de lona com barriga também acumulam água.
A verificação desses pontos envolve altura, então não suba em telhado nem em escada alta sem segurança. O que dá para fazer do chão é observar se a água escorre pelos condutores depois da chuva e se há transbordamento pela borda da calha, sinal de entupimento. A limpeza de calhas e a correção do caimento da laje devem ficar com um profissional que trabalhe com equipamento de proteção. Em apartamento, coberturas e lajes de uso comum são responsabilidade do condomínio. Se notar acúmulo, avise o síndico.
6. Caixa-d’água, cisternas e reservatórios improvisados
Caixa-d’água sem tampa, com tampa rachada ou mal encaixada é um criadouro de grande porte. O mesmo vale para tonéis, baldes e galões usados para guardar água em época de falta.
Confira se a tampa da caixa-d’água está inteira, encaixada e sem frestas. Se houver dúvida sobre o estado da caixa, ou se o acesso exige subir no telhado, chame um profissional para a inspeção e para a limpeza periódica. Reservatórios improvisados precisam de tampa que vede de verdade. Um pano por cima não basta, porque o mosquito passa por frestas pequenas. Se a tampa não fecha bem, uma tela fina presa em volta da boca do recipiente, por baixo da tampa, reforça a vedação.
7. Recipientes soltos no quintal e na área de serviço
Garrafas, baldes, potes, brinquedos de criança, pneus e restos de material de obra acumulam água de chuva e passam despercebidos justamente porque estão sempre ali. Até uma tampinha de garrafa virada para cima pode virar criadouro.
A regra prática é: o que não tem uso vai embora, e o que tem uso fica guardado coberto ou de boca para baixo. Baldes e bacias da lavanderia ficam emborcados. Garrafas vazias à espera da reciclagem ficam tampadas e em local coberto. Brinquedos de piscina e de areia são guardados secos. Suponha, como exemplo hipotético, um quintal com um carrinho de mão encostado na parede, três vasos vazios empilhados e uma lona sobre a churrasqueira. Na vistoria, o carrinho vai para debaixo da cobertura de pé, os vasos ficam de boca para baixo e a lona é esticada para não fazer barriga. Em dez minutos, três criadouros possíveis deixam de existir.
8. Plantas que acumulam água
Bromélias e outras plantas que formam um copo no centro das folhas guardam água de chuva e de rega. Bambus cortados, tocos ocos de árvore e buracos em muros e pedras fazem o mesmo.
Para as bromélias, a orientação mais segura é evitar que a água fique acumulada: regue o substrato, e não o centro da planta, e esvazie o copo com cuidado na vistoria semanal, virando a planta de leve ou retirando a água com um copinho. Não coloque produtos de limpeza nem misturas caseiras na planta. Tocos e buracos que acumulam água podem ser preenchidos com areia ou terra. Furos em muros e ocos de árvore maiores merecem avaliação de um jardineiro ou pedreiro.
Para fechar a rotina, alguns cuidados com a família. Repelentes de uso pessoal só devem ser usados em crianças pequenas e gestantes conforme a orientação de um profissional de saúde e as instruções do rótulo. Telas em janelas, especialmente no quarto de bebês, ajudam e não envolvem produto nenhum. Diante de febre ou de outros sintomas suspeitos, procure um serviço de saúde e não tome remédio por conta própria. Se você percebe muitos mosquitos e não acha a origem na sua casa, o criadouro pode estar num terreno vizinho ou numa área comum: o serviço de vigilância em saúde ou o controle de zoonoses do município costuma receber esse tipo de aviso. Hábitos gerais que mantêm a casa menos atraente para insetos estão em como evitar infestação de insetos com higiene e organização.