Dá para lavar em casa a maioria dos travesseiros de fibra siliconizada e muitos de pena e pluma, desde que a etiqueta permita: na máquina, em ciclo delicado, com pouco sabão líquido, enxágue extra e dois travesseiros juntos para equilibrar o tambor. Travesseiros de espuma, viscoelástico e látex não vão para a máquina nem ficam de molho; neles se lava a capa e se limpa só a superfície. Em qualquer caso, a parte que mais decide o resultado é a secagem: o travesseiro precisa secar até o miolo, senão o enchimento embola e aparece cheiro de mofo. Os passos abaixo seguem essa ordem.
Passo 1: leia a etiqueta e descubra o tipo de enchimento
A etiqueta costurada na lateral diz o material e mostra os símbolos de lavagem. Antes de qualquer coisa, procure três informações: o enchimento, se o símbolo da bacia está liberado ou riscado e se a secadora é permitida.
Na prática, os tipos se comportam assim:
- Fibra siliconizada ou poliéster: o mais comum e o mais fácil. Em geral, aceita lavagem na máquina.
- Pena e pluma: muitos aceitam lavagem, mas a secagem é demorada e exige atenção, porque pena úmida por dentro cheira mal.
- Espuma, viscoelástico (o chamado travesseiro de espuma de memória) e látex: não aceitam máquina nem molho. A água entra na espuma, não sai por inteiro e a peça pode se deformar ou rasgar com a centrifugação.
Se a etiqueta sumiu ou está ilegível, aperte o travesseiro: fibra e pluma afundam e voltam devagar, espuma e látex têm um bloco único por dentro. Na dúvida sobre um bloco de espuma, trate como se não pudesse molhar.
Passo 2: tire fronha e capa protetora e confira costuras e manchas
Retire a fronha e a capa protetora, se houver. Essas vão para a lavagem normal da roupa de cama, separadas do travesseiro.
Passe a mão pelas costuras do travesseiro. Um ponto aberto vira um buraco por onde a fibra ou a pena escapa dentro da máquina, e aí o estrago é no travesseiro e no filtro da lavadora. Feche com alguns pontos de linha antes de lavar.
Se houver mancha amarelada de suor ou de baba, trate antes. Esfregue de leve a área com um pouco de detergente neutro ou sabão de coco diluído em água fria, com uma escova macia, e deixe agir alguns minutos. Lembre que calor fixa mancha: até ela sair, nada de secadora nem sol forte direto sobre a área. Se a mancha não sair em duas tentativas, aceite e siga, porque esfregar demais desgasta o tecido do travesseiro.
Passo 3: coloque dois travesseiros juntos e escolha o ciclo delicado
Um travesseiro sozinho fica de um lado do tambor e desequilibra a centrifugação. Dois juntos, ou um travesseiro com algumas toalhas, distribuem o peso. Em lavadora de abertura superior com agitador central, coloque os travesseiros na vertical, um de cada lado do agitador, para eles não se enrolarem nele.
Escolha o ciclo delicado ou o de edredom, se a máquina tiver, em água fria ou morna, dentro do que a etiqueta permitir. Água quente pode encolher o tecido externo e, na pluma, retirar parte da oleosidade natural que mantém as penas soltas.
Um travesseiro encharcado fica muito pesado. Se a sua máquina for pequena, confira a capacidade no manual antes de lavar dois de uma vez. Na dúvida, lave um travesseiro com toalhas para equilibrar.
Se a máquina não comportar o travesseiro, a lavagem pode ser à mão, no tanque, para fibra e para pluma quando a etiqueta permitir. Encha o tanque com água fria ou morna e um pouco de sabão líquido dissolvido, mergulhe o travesseiro e aperte várias vezes com as palmas das mãos, como quem amassa pão, sem torcer. Troque a água e repita só com água limpa até não sair mais espuma. Para tirar o excesso de água, aperte em vez de torcer, porque torcer rompe as costuras internas e embola o enchimento. Se a lavadora tiver um ciclo só de centrifugação, use-o em seguida.
Passo 4: use pouco sabão líquido e programe enxágue extra
Use sabão líquido, porque dissolve melhor e não deixa grumos presos no enchimento, e use menos do que usaria numa carga de roupa. O enchimento segura sabão com facilidade, e o resíduo deixa as fibras grudadas, duras e com tendência a cheirar mal.
Dispense o amaciante. Ele cria uma película que deixa fibra e pena menos soltas e aumenta a chance de embolar.
Programe um enxágue extra. Um teste simples ao fim do ciclo: aperte o travesseiro com as mãos. Se ainda sair espuma, faça mais um enxágue antes de centrifugar.
Passo 5: centrifugue bem e afofe logo em seguida
Use a centrifugação mais longa que a etiqueta permitir. Quanto mais água sair na máquina, menos tempo o travesseiro vai passar úmido depois, e esse é o tempo em que o cheiro aparece.
Ao tirar da máquina, afofe o travesseiro com as mãos, apertando e sacudindo, para desfazer os bolos de enchimento enquanto ainda estão maleáveis. Esse passo leva um minuto e evita a maior reclamação depois da lavagem: o travesseiro todo concentrado num canto.
Passo 6: seque até o miolo, virando e afofando
Estenda o travesseiro na horizontal, num varal de chão ou sobre uma grade, em lugar ventilado e à sombra ou sol fraco. Pendurado pela ponta com prendedor, o enchimento desce e embola.
Vire e afofe o travesseiro algumas vezes por dia. A fibra costuma secar em um ou dois dias, dependendo do tempo; pena e pluma demoram mais. Para conferir, aperte o centro com força e cheire: se estiver frio ao toque ou com cheiro abafado, ainda há umidade por dentro.
Se a etiqueta liberar secadora, use temperatura baixa e coloque junto duas bolinhas de secadora ou duas bolas de tênis limpas, que batem no travesseiro e soltam o enchimento. Pare de vez em quando para afofar com as mãos.
Não devolva à cama um travesseiro só seco por fora. Guardado úmido dentro da fronha, ele cria mofo, e cheiro de mofo em pena praticamente não sai. Para entender por que a umidade parada causa tanto problema em casa, veja como evitar mofo e umidade em apartamentos pequenos.
Passo 7: para espuma e látex, lave só a capa e limpe a superfície
Travesseiros de espuma, viscoelástico e látex costumam ter uma capa com zíper. Tire a capa e lave conforme a etiqueta dela. O bloco de dentro recebe outro cuidado:
- aspire as duas faces com o bocal de estofado para tirar poeira e pele;
- para uma mancha, passe um pano úmido com um pouco de detergente neutro diluído em água, sem encharcar, e depois um pano só com água;
- deixe arejar em lugar ventilado, à sombra, até secar completamente antes de recolocar a capa.
O látex em especial resseca e esfarela com sol direto, por isso a secagem é sempre à sombra. Nunca torça nem esprema espuma molhada: ela rasga por dentro.
Passo 8: decida a frequência e quando é hora de trocar
Com capa protetora e fronha trocada toda semana, lavar o travesseiro algumas vezes por ano costuma ser suficiente. A capa protetora é o que mais prolonga o intervalo, porque segura suor e oleosidade antes de chegarem ao enchimento, e ela vai para a máquina com a roupa de cama.
Entre uma lavagem e outra, arejar ajuda mais do que parece. Num dia seco, deixe o travesseiro sem fronha por algumas horas perto de uma janela aberta, à sombra, e afofe antes de recolocar a fronha. Esse hábito vale para todos os tipos, inclusive espuma e látex, e reduz a umidade que o travesseiro absorve durante a noite. Quem transpira muito ou tem pet que dorme na cama pode precisar de lavagens mais próximas; o sinal é o cheiro, que aparece antes da sujeira visível.
Para saber se o travesseiro de fibra ou pluma ainda vale a lavagem, faça o teste de dobrar: dobre ao meio e solte. Se ele se abrir sozinho, ainda tem suporte. Se ficar dobrado, o enchimento perdeu a elasticidade, e lavar não traz de volta. Embolado mesmo depois de seco e afofado, com manchas que voltam ou cheiro que não sai também são sinais de troca.
Para organizar a lavagem de peças grandes sem tomar a área de serviço o dia inteiro, estas dicas para organizar a lavanderia em apartamento pequeno ajudam.