Cupim de madeira seca e cupim de solo são os dois grupos que mais aparecem dentro de casa, e o sinal que eles deixam é diferente. O de madeira seca vive dentro da própria peça de madeira e solta pequenos grânulos parecidos com areia ou sementinhas. O de solo, também chamado de subterrâneo, mora na terra e chega à casa por túneis de barro que sobem pelas paredes. Saber qual é qual muda a urgência e o tipo de tratamento, que em ambos os casos é trabalho de uma empresa de controle de pragas. A seguir estão os termos que ajudam a reconhecer cada um e a não confundir com outros insetos.
O que é cupim de madeira seca
É o cupim que faz o ninho dentro da madeira que ele está comendo: um móvel, um batente, um rodapé, uma viga de telhado. A colônia costuma ser pequena e fica restrita àquela peça ou a peças próximas. Ele não precisa de contato com o solo nem de umidade, por isso aparece em apartamentos de andares altos.
O sinal típico são os resíduos que ele empurra para fora por furinhos na madeira: grânulos secos, duros, todos do mesmo tamanho e de cor parecida com a da madeira. Formam montinhos embaixo do móvel ou da porta e voltam a aparecer depois que são varridos. Batendo de leve na madeira atacada com o cabo de uma chave de fenda, o som costuma sair oco.
O que é cupim de solo
O cupim de solo vive em colônias grandes, com ninho na terra ou em vãos úmidos da construção. Ele sai em busca de celulose, como madeira, papelão, papel e até o papel do gesso acartonado, e se protege da luz e do ar seco andando dentro de túneis que ele mesmo constrói com terra e saliva.
Esses túneis, ou galerias, são o sinal mais claro: cordões de barro da largura de um lápis, subindo pela parede, pelo rodapé, por dentro de armários embutidos ou pelas frestas do piso. Quebrando um pedaço, aparecem insetos claros e moles lá dentro. Como a colônia está fora da peça atacada, o estrago pode estar em vários cômodos ao mesmo tempo e costuma ser mais grave do que parece. Madeira atacada por ele tende a ficar com camadas comidas por dentro e restos de terra.
Revoada, siriri e aleluia
Revoada é a saída em massa dos cupins alados, que deixam a colônia para formar novas. Em várias regiões, esses alados são chamados de siriri ou aleluia. A revoada costuma acontecer em fim de tarde e começo da noite quentes e úmidos, quase sempre perto de lâmpadas acesas.
Depois do voo, eles perdem as asas. Achar asas soltas, todas do mesmo tamanho, no peitoril ou embaixo da luminária é um aviso. Isso não quer dizer que exista ninho dentro da casa: os alados podem ter vindo de fora atraídos pela luz. Mas, se as asas aparecem num cômodo fechado, ou se a revoada se repete no mesmo ponto, vale procurar grânulos e túneis por perto.
Cupim ou formiga alada
As formigas também fazem revoadas, e a confusão é comum. Três diferenças ajudam:
- Cintura: a formiga tem uma "cintura" fina entre o tórax e o abdome; o cupim tem o corpo reto, quase da mesma largura do começo ao fim.
- Antenas: as da formiga são dobradas, como um cotovelo; as do cupim são retas, lembrando um colar de contas.
- Asas: no cupim, as quatro asas têm praticamente o mesmo tamanho e são bem mais longos que o corpo; na formiga, as asas da frente são maiores que as de trás.
Para olhar com calma, recolha um inseto com fita adesiva transparente e use uma lupa.
Cupim ou broca de madeira
Broca, ou caruncho de madeira, é o nome popular de pequenos besouros cujas larvas cavam galerias na madeira. Os furinhos redondos que aparecem em móveis antigos costumam ser dela. A diferença está no resíduo: a broca solta um pó fino, como talco ou farinha, enquanto o cupim de madeira seca solta grânulos que dão para sentir entre os dedos. Não confunda com o caruncho da despensa, que ataca grãos e farinhas e é outro inseto.
A distinção importa porque o tratamento e a urgência mudam. Na dúvida, guarde uma amostra do resíduo num saquinho fechado para mostrar ao técnico.
Tratamento localizado e tratamento de barreira
São os dois termos que mais aparecem no orçamento de uma empresa de controle de pragas, e cada um costuma estar ligado a um tipo de cupim. Tratamento localizado é o que atua na peça ou na área atacada, comum no cupim de madeira seca, cuja colônia está ali dentro. Tratamento de barreira, ou de solo, busca impedir que a colônia subterrânea alcance a construção, e por isso envolve o entorno e a base do imóvel. Há ainda sistemas de iscas, em que a própria colônia leva o produto para o ninho.
Quem escolhe o método é o técnico, depois da inspeção. Ao receber a proposta, pergunte qual tipo de cupim foi identificado, onde estão os pontos de atividade, quais cuidados a família precisa tomar antes e depois da aplicação e se há garantia com revisão. Suponha, como exemplo hipotético, uma casa com grânulos embaixo de uma cômoda e nenhum túnel nas paredes: a tendência é um tratamento só da peça. Se a mesma casa tivesse galerias de barro saindo do rodapé da cozinha, a conversa passaria a ser sobre a colônia no solo, e não sobre um móvel.
Erros comuns ao encontrar sinais de cupim
- Varrer e esquecer: limpar os grânulos sem anotar onde estavam faz perder a pista. Varra, espere alguns dias e veja se voltam e onde.
- Quebrar todos os túneis: romper as galerias dispersa os cupins e dificulta o trabalho do técnico, que usa os túneis para localizar a atividade. Fotografe e deixe como está até a inspeção.
- Aplicar veneno caseiro ou inseticida de spray: o produto atinge só os insetos expostos, não chega à colônia, espalha substâncias pela casa e expõe crianças, pets e gestantes sem resolver o problema. O tratamento correto é feito por empresa de controle de pragas regularizada, que indica o método e os cuidados de cada caso, como tempo fora de casa e proteção de alimentos e aquários.
- Levar o móvel atacado para outro cômodo: com cupim de madeira seca, isso pode levar a colônia junto. Deixe a peça onde está até a avaliação.
- Ignorar a umidade: vazamentos e paredes úmidas favorecem o cupim de solo. Corrigir a infiltração faz parte da prevenção, e há caminhos em como detectar e prevenir infiltrações em casa.
Como os dois se relacionam com a prevenção
A prevenção segue o tipo de cupim. Contra o de madeira seca, a principal barreira é a inspeção: examinar móveis usados, de madeira maciça, antes de entrarem em casa, procurando furinhos e grânulos, e revisar batentes e rodapés uma vez por ano. Contra o de solo, o foco é tirar o que atrai a colônia para perto da construção: entulho de madeira, caixas de papelão no chão de depósitos e garagens, madeira encostada direto na terra e umidade constante.
Em apartamento, vale avisar o síndico se aparecerem túneis em áreas comuns, porque o cupim de solo não respeita a divisão entre unidades. Para outras pragas que aparecem sem ser vistas, há um roteiro em como proteger o apartamento contra pragas invisíveis, e quem tem móveis antigos encontra cuidados de conservação no passo a passo para limpar e restaurar móveis de madeira antigos.